Os preços nos supermercados de São Paulo tiveram alta de 0,76% em outubro em comparação com o mesmo período de 2013. De acordo com o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela APAS/FIPE no acumulado do ano (de janeiro a outubro), a inflação já acumula alta de 5,98%. A título de comparação com outubro de 2013, a inflação acumulada no ano era de 2,11%.
Este é o pior resultado desde dezembro de 2012, quando a inflação atingiu, no acumulado do ano, 10,02%. Em 12 meses, a alta nos preços foi de 7,27% e, em termos comparativos com outubro de 2013, a inflação em 12 meses foi de 3,95%.
Os dados apontam que a inflação ao longo de 2014 se demonstrou mais elevada e persistente por um período mais prolongado. Já a alta verificada em outubro esteve diretamente relacionada, principalmente, ao aumento nos preços das carnes (2,40%) e dos legumes (11,10%).
Com relação à elevação dos preços das carnes, há dois fatores a serem considerados. A estiagem tem provocado a diminuição da qualidade do pasto, sendo necessária a utilização da ração animal para a alimentação dos bovinos, encarecendo o custo da produção e refletindo em uma pressão sobre os preços.
Outro fator de destaque está relacionado à elevação na quantidade de carnes exportadas, que afeta a disponibilidade do produto no mercado interno, fazendo com que haja uma menor oferta do produto no Brasil e refletindo em preços mais elevados para o consumidor. Em outubro, as maiores elevações foram verificadas no filet mignon (9,08%), coxão duro (3,31%) e acém (3,23%).
Já em relação aos legumes, a alta está ligada a fatores sazonais, relacionados à estiagem prolongada, que dificulta a irrigação e prejudica o desenvolvimento de algumas culturas agrícolas, como é o caso dos legumes. Em outubro, as maiores elevações nos preços dos legumes foram verificadas no tomate (24,32%), berinjela (13,12%), chuchu (12,21%) e cenoura (10,95%).
Os preços dos semielaborados (carnes, cereais e leite) apresentaram elevação em outubro de 1,19%, impactados diretamente pela alta nos preços das carnes bovinas (2,40%), carnes suínas (7,07%) e aves (3,38%). Em 12 meses, o aumento nos preços dos semielaborados foi de 5,39% e, no acumulado do ano (janeiro a outubro), foi de 6,71%.
Quanto ao preço dos produtos industrializados, estes apresentaram ligeiro crescimento em outubro com variação de 0,08%. A variação esteve relacionada à elevação nos preços dos derivados de carnes (1,46%). No entanto, vale ressaltar que as quedas nos preços de alguns produtos contribuíram para uma maior estabilidade do segmento de produtos industrializados, como é o caso da variação negativa verificada nos preços de óleos (-1,13%), massas (-0,26%) e panificados (-0,43%). Em 12 meses, a elevação nos preços dos produtos industrializados foi de 7,10% e no acumulado do ano (janeiro a outubro), de 4,74%.
Os preços das Frutas, Legumes e Verduras apresentaram alta de 2,96% em outubro, diante de um período de estiagem mais prolongada. No acumulado de 2014 (de janeiro a outubro), a alta ainda foi de 5,51% e, no acumulado de 12 meses, foi de 3,26%.
Os itens que apresentaram as maiores variações positivas em outubro foram: limão (30,42%), maracujá (27,13%), tomate (24,32%), berinjela (13,12%), chuchu (12,21%), cenoura (10,95%), alface (6,09%).
Os preços das bebidas alcoólicas apresentaram alta em outubro, com variação de 2,26%, reflexo da elevação do preço da cerveja em 2,72%. Em 12 meses, a alta nos preços foi de 8,20% e, no acumulado do ano (janeiro a outubro), foi de 7,60%. As bebidas não alcoólicas tiveram aumento de 1,57%, principalmente nos preços de refrigerante (2,06%) e água mineral (3,19%). Em 12 meses, a alta nos preços é de 10,58% e no acumulado do ano (janeiro a outubro) a elevação foi de 8,92%.
Os preços dos produtos de limpeza apresentaram queda de 0,17% impactados pela retração no preço do sabão em pó (-0,28%) e concentrado de limpeza (-0,42%). Em 12 meses, a elevação nos preços dos produtos de limpeza foi de 11,86%. Já no acumulado de janeiro e outubro, houve alta de 10,03%.
Os artigos de higiene e beleza apontaram aumento de 0,21% impactados pela elevação nos preços das escovas dentais (3,71%), desodorante (0,45%) e shampoo (1,50%). Em 12 meses, o reajuste nos preços dos artigos de higiene e beleza foi de 8,27%. Já no acumulado de janeiro e outubro, houve alta de 6,90%.
Em outubro, as variações negativas estiveram presentes em 39,55% dos itens, de acordo com o índice de difusão (proporção das variações de preços negativas), ficando abaixo da média, que é de 43,08%.
Na avaliação desde a criação do Plano Real, em 1994, o IPS/APAS apresenta variação acumulada de 162,85%, o IPCA/IBGE (São Paulo) – Alimentos e Bebidas apresenta alta de, aproximadamente 334,82%, já o IPCA/IBGE (Brasil) – Alimentos e Bebidas tem alta de 350,52%, o IPC-FIPE tem aumento de 274,37% e o IPA/FGV tem variação de 506%. Assim, a evolução dos preços ao longo dos anos, aponta uma elevação mais moderada no setor supermercadista, diante de sua característica de concorrência, onde os ganhos de eficiência e produtividade aliados as constantes negociações junto à indústria, possibilitam preços mais competitivos para serem ofertas aos consumidores.
