A APAS – Associação Paulista de Supermercados considera necessária a correção de rota no enfrentamento às apostas online e apoia o objetivo de proteger a renda, a saúde e o bem-estar das famílias brasileiras.
As bets não explicam, sozinhas, a fragilidade financeira de parte da população. O orçamento doméstico já vinha sendo pressionado por juros elevados e forte endividamento. As apostas acrescentaram uma nova, inédita e volumosa saída de recursos dos lares brasileiros.
Não seria correto colocar toda a responsabilidade pelo endividamento nas bets. Mas também seria um erro ignorar que elas se transformaram em mais uma forte pressão sobre um orçamento familiar que já estava muito apertado.
Para o setor supermercadista, essa realidade aparece diariamente nas escolhas das famílias. Quando a renda já não cobre todas as despesas, o consumidor reduz quantidades, troca produtos, retira itens do carrinho ou posterga compras necessárias.
Acrescentamos ainda que a aposta acontece na tela do celular, a qualquer hora, mas a consequência chega à mesa, à saúde, aos estudos. É no carrinho do supermercado que muitas famílias precisam decidir o que ainda cabe e o que terá de ficar para depois.
A APAS considera correta a intenção de conter os danos econômicos, sociais e de saúde emocional associados às apostas.
Para produzir resultados, a política deverá alcançar os fluxos financeiros clandestinos, aplicativos, publicidade e intermediários utilizados pelas operações ilegais. Também precisará ser acompanhada por ações de prevenção, orientação e tratamento das pessoas já dependentes.
Como representante de um setor essencial e abastecedor, a APAS está disposta a discutir e contribuir com a solução concreta deste tema. Apontar culpados ou politizar a discussão não trará as medidas necessárias para a solução deste grave problema.
