Os preços dos produtos comercializados nos supermercados paulistas registraram queda de 0,29% em agosto de 2026, segundo o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela APAS em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Foi o segundo mês consecutivo de redução, após a queda de 0,86% registrada em julho. No acumulado do ano, o índice apresenta alta de 2,14%.
O principal destaque do mês foi a redução nos preços dos produtos in natura, que ficaram, em média, 6,51% mais baratos. A queda atingiu todas as subcategorias, especialmente tubérculos (-17,69%) e legumes (-10,92%). Entre os alimentos que apresentaram as maiores reduções estão a batata (-28,69%) e a cebola (-15,34%).
De acordo com o levantamento, as condições climáticas mais favoráveis e o calor intenso em algumas regiões produtoras anteciparam a maturação e a colheita, ampliando a oferta de alimentos no mercado. Outros produtos também registraram queda, como ovos (-4,76%), verduras (-5,27%) e frutas (-0,56%).
Apesar da redução em agosto, alguns alimentos ainda acumulam aumentos expressivos em 2026. A cebola, por exemplo, registra alta de 73,29% no ano, enquanto a batata acumula elevação de 13,82%.
Carnes, leite e pescados ficam mais caros
Enquanto os produtos in natura contribuíram para a redução do IPS, os semielaborados apresentaram aumento de 0,96% em agosto, após queda de 0,93% no mês anterior.
Entre os principais aumentos estão os pescados (+2,48%), leites (+1,99%), carnes bovinas (+1,20%) e aves (+0,78%).
O salmão foi um dos produtos que mais chamaram a atenção, com alta de 9,24% no mês. Segundo a análise da APAS, o aumento foi influenciado pelas fortes nevascas na Cordilheira dos Andes, no Chile, que comprometeram uma das principais rotas terrestres utilizadas no abastecimento do produto. No acumulado do ano, o salmão registra alta de 17,34%.
O leite também apresentou aumento de preços, com variação de 1,99% em agosto e alta acumulada de 24,53% em 2026. O resultado está relacionado à redução da oferta e ao aumento dos custos dos insumos utilizados na produção.
Nas carnes bovinas, a alta de 1,20% foi influenciada pela oferta restrita de animais prontos para o abate. Entre os cortes que ficaram mais caros estão picanha (+4,11%), braço (+2,37%) e lagarto (+1,98%). No ano, a categoria acumula aumento de 9,71%.
Café e feijão apresentam redução nos preços
O levantamento também identificou queda nos preços de produtos importantes para a alimentação dos brasileiros. O café ficou 0,83% mais barato em agosto e acumula redução de 16,46% desde o início do ano.
O feijão apresentou queda de 5,33% no mês, influenciada pelo avanço da colheita da terceira safra. Mesmo com a redução recente, o produto ainda registra alta acumulada de 38,49% em 2026.
Já os produtos industrializados apresentaram aumento de 0,31% em agosto, mas permanecem praticamente estáveis no acumulado do ano, com variação de 0,10%. Entre os grupos que contribuíram para esse resultado estão açúcar e adoçantes, com queda de 20,02%, cafés, chocolates em pó e chás (-12,31%) e óleos (-9,08%) desde janeiro.
Fora da categoria de alimentação e bebidas, os artigos de limpeza ficaram 1,12% mais caros em agosto, com destaque para o saco de lixo (+4,63%). Os produtos de higiene e beleza também apresentaram alta de 0,70%, principalmente em itens como papel higiênico (+2,94%), loção para pele (+2,38%) e guardanapo de papel (+2,15%).
Clima e cenário internacional podem influenciar os próximos meses
Além dos resultados de agosto, o relatório da APAS destaca fatores que podem influenciar os preços dos alimentos nos próximos meses.
As tensões geopolíticas no Oriente Médio seguem pressionando os custos internacionais de transporte, energia e abastecimento. No Brasil, possíveis aumentos nos preços de combustíveis, fertilizantes e outros insumos importados podem afetar os custos de produção e distribuição de alimentos.
Outro fator de atenção é a possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño entre a primavera e o início do verão. Alterações nos padrões de chuva e temperatura podem comprometer a produtividade agrícola e provocar oscilações na oferta e nos preços dos produtos.
A APAS acompanha a evolução desses cenários e seus possíveis impactos sobre o abastecimento e os preços praticados no varejo alimentar paulista.
Sobre o IPS
O Índice de Preços dos Supermercados (IPS) é calculado mensalmente pela APAS, em parceria com a Fipe, e acompanha a variação dos preços dos principais produtos comercializados nos supermercados do estado de São Paulo, incluindo alimentos, bebidas, artigos de limpeza e produtos de higiene e beleza.
