A APAS avalia que a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil em reduzir os juros básicos da economia, a taxa SELIC, em 0,25 ponto percentual, passando de 14% ao ano para 13,75%, sinaliza ao mercado a busca por uma retomada do crescimento econômico no médio prazo.
“A redução da taxa de juros incentiva os investimentos e abre oportunidade para o consumo, principalmente, de bens duráveis, que são diretamente impactados. Ao reduzir a taxa de juros, mesmo que em 0,25 ponto percentual, a equipe econômica sinaliza aos empresários e consumidores a busca pela melhora da economia”, comenta o gerente de economia e pesquisa da APAS, Rodrigo Mariano.
O economista comentou que a redução dos juros não foi surpresa para a APAS.
“Mesmo entendendo que o governo atual não possui muitas alternativas diante do quadro econômico herdado, o COPOM não poderia perder a oportunidade de reduzir a taxa de juros e sinalizar positivamente para o mercado a busca pelo crescimento via incentivo do investimento e do consumo das famílias”, diz.
De acordo com Rodrigo, os indicadores apontavam para a oportunidade de redução dos juros diante do cenário atual, que contempla um mercado de trabalho com resultados piores do que o esperado e uma inflação em tendência de queda, com persistência em segmentos de atividades que não possuem grande influência da taxa de juros.
Deste modo, há indicadores apontando para a possibilidade de reduzir a taxa de juros para impactar positivamente a confiança dos empresários e consumidores a fim de que haja uma retomada da atividade econômica a partir da retomada dos investimentos e do consumo, mesmo que de maneira lenta.
Para o economista, o comportamento de inflação em tendência de queda no Brasil, em certa medida, foi beneficiado pela má condução da política econômica dos últimos anos, pois o quadro recessivo necessário para a redução da inflação veio por meio da queda da atividade econômica brasileira ao longo dos últimos meses, refletindo em um cenário de redução de emprego e da renda, e consequentemente, nos preços.
Expectativa
A Associação acredita na continuidade da redução da taxa básica de juros de maneira lenta e gradual, sempre levando em conta as condições de mercado e a evolução dos principais indicadores de atividade no mercado interno e externo.
“O impacto da elevação da taxa de juros possui um efeito que se propaga e atinge a economia até alguns meses à frente. Estamos falando de um impacto da manutenção dos juros em patamares elevados, atingindo a economia ao longo dos próximos meses, incluindo o primeiro semestre de 2017. Aliado a isto, a queda nos juros pode sinalizar a abertura para um caminho em que outras ações sejam realizadas em prol da retomada do crescimento econômico de maneira sustentável”, finaliza.