O preço do café voltou a registrar queda em abril e reforçou uma tendência observada nos últimos meses. É o que aponta o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), levantamento realizado pela APAS em parceria com a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). O estudo também identificou reduções em cortes bovinos presentes no dia a dia do consumidor, além de produtos de limpeza e bebidas não alcoólicas.
De acordo com o levantamento, o café apresentou recuo de 4,41% em abril. Nos últimos 12 meses, o produto acumula queda de 5,13%, resultado impulsionado pela expectativa de recuperação da oferta global e pela previsão de uma safra recorde no Brasil para o ciclo 2026/27.
Segundo o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, a tendência é que esse cenário continue ao longo dos próximos meses. “A perspectiva de recuperação da oferta global e a expectativa de uma safra recorde no Brasil para o ciclo 2026/27 influenciaram as reduções nos preços do produto, que deve continuar em queda nos próximos meses. Isso pode contribuir para suavizar o impacto da inflação no carrinho de compras, especialmente em produtos amplamente consumidos pelos brasileiros.”
O resultado observado em abril reforça uma sequência de reduções registradas pelo produto nos últimos meses, contribuindo para aliviar a pressão sobre uma das categorias mais presentes no consumo dos brasileiros.
Carnes, bebidas e limpeza acompanham movimento de queda
Outro destaque do mês foi o comportamento dos preços da carne bovina. O índice apontou redução de 0,71% na categoria em abril. Entre os cortes que mais contribuíram para esse resultado estão o coxão mole, que registrou queda de 3,80%, e o lagarto, com recuo de 2,80%. Alcatra (-2,26%) e contrafilé (-1,97%) também apresentaram redução no período.
Apesar do recuo observado no mês, as carnes bovinas acumulam alta de 5,21% em 2026, reflexo da combinação entre o fortalecimento da demanda nos mercados interno e externo e o crescimento das exportações brasileiras.
Além das carnes, outras categorias também registraram redução de preços em abril. As bebidas não alcoólicas apresentaram queda de 0,63%, impulsionadas principalmente pelos recuos observados nos sucos de fruta e nos pós para refresco. Já os artigos de limpeza registraram retração de 0,58%, contribuindo para amenizar a pressão sobre o orçamento das famílias.
Lácteos e produtos in natura registram alta no mês
Na direção contrária, algumas categorias apresentaram elevação de preços em abril. Os produtos semielaborados avançaram 2,16%, impulsionados principalmente pelos aumentos observados nos lácteos e nos cereais.
O leite longa vida registrou alta de 15,21% no mês, enquanto a categoria de lácteos avançou 15,01%. Segundo a análise do IPS, o movimento está associado ao período de entressafra, que reduz a oferta de leite e pressiona os preços.
Entre os cereais, o feijão apresentou aumento de 4,05% em abril e acumula alta de 31,11% no ano. A elevação está relacionada à menor oferta do produto, consequência de dificuldades na colheita e da redução da área plantada na primeira safra.
Os produtos in natura também registraram aumento expressivo, com alta de 4,68% no mês e de 7,45% no acumulado de 2026. O principal destaque ficou por conta dos legumes, que avançaram 10,19% em abril e acumulam alta de 39,72% no ano. Tubérculos registraram aumento de 8,67%, enquanto as verduras apresentaram elevação de 2,78%.
Segundo a análise da APAS, o comportamento está relacionado aos impactos de eventos climáticos em importantes regiões produtoras, especialmente o excesso de chuvas, que afetou a oferta desses produtos.
Outras categorias analisadas pelo IPS
Os ovos também continuaram em trajetória de alta, com avanço de 2,64% em abril. Apesar disso, o índice aponta desaceleração em relação a março, quando a categoria havia registrado aumento de 7,40%, refletindo o fim do período da Quaresma.
Outro movimento observado no mês foi o aumento de 0,37% nos óleos. O resultado foi influenciado pela valorização das cotações internacionais, impulsionada pelo cenário geopolítico no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e intensificou a demanda por biodiesel.
Já a categoria de higiene e beleza apresentou alta de 0,98%, com destaque para itens como cotonetes, máscaras capilares e cremes corporais.
No resultado geral, o IPS registrou variação de 0,67% em abril. No acumulado de 2026, o índice apresenta avanço de 2,14%. O levantamento reforça a importância do acompanhamento contínuo das diferentes categorias que compõem o consumo das famílias, permitindo uma leitura mais ampla dos fatores que influenciam os preços e o abastecimento no Estado de São Paulo.
