O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela APAS em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), encerrou o ano de 2025 com alta acumulada de 1,95%. No mês de dezembro, o índice apresentou estabilidade, com leve variação negativa de 0,02%, confirmando o movimento de desaceleração dos preços observado ao longo do segundo semestre do ano.
Ao longo de 2025, os preços dos principais produtos da cesta de consumo foram influenciados por uma combinação de fatores climáticos, oscilações do mercado internacional, variação cambial, custos de produção e tensões geopolíticas. De forma geral, o primeiro semestre foi marcado por pressões inflacionárias mais intensas, enquanto a segunda metade do ano apresentou um ritmo mais moderado de reajustes.
Alimentação e bebidas
A categoria de alimentação e bebidas registrou alta acumulada de 1,41% em 2025. Dentro desse grupo, os produtos industrializados apresentaram aumento de 5,35% no ano, influenciados principalmente pelas elevações nos preços de cafés, chocolates em pó, chás, doces, alimentos prontos e conservas.
Em sentido oposto, os produtos semielaborados encerraram o ano com deflação de 4,85%, resultado da queda expressiva nos preços de cereais, leite e carnes suínas, refletindo o aumento da oferta e a acomodação da demanda ao longo do período.
Proteínas
Entre as proteínas, a carne bovina apresentou alta de 1,98% em dezembro e encerrou o ano com crescimento acumulado de 2,18%. O comportamento dos preços refletiu a combinação entre o fortalecimento da demanda no mercado interno e o desempenho positivo das exportações brasileiras ao longo de 2025, evidenciando a resiliência do setor.
A carne suína, apesar da alta de 1,12% registrada em dezembro, fechou o ano com queda acumulada de 1,76%, favorecida pelo aumento da oferta ao longo do período.
Produtos in natura
Os produtos in natura registraram aumento de 2,20% em dezembro, movimento associado à maior demanda típica do período de festas de fim de ano. As altas foram puxadas principalmente por tubérculos, frutas e verduras, com destaque para batata, cebola, maracujá e mamão.
Apesar da elevação pontual no último mês do ano, a categoria encerrou 2025 com queda acumulada de 1,66% nos preços.
Industrializados e óleos
No grupo dos industrializados, o café permaneceu como um dos principais destaques de 2025. Mesmo com a queda de 0,94% em dezembro, o produto acumulou alta expressiva de 35,51% no ano, impactado por problemas climáticos em importantes regiões produtoras e pela restrição da oferta global.
Já a categoria de óleos apresentou deflação de 4,93% no acumulado do ano, influenciada principalmente pela queda de 25,02% no preço do azeite de oliva, reflexo da retomada da produção europeia e da isenção da alíquota de importação do produto. O óleo de soja, por sua vez, registrou alta moderada, impulsionada pela demanda do setor de biodiesel.
Artigos de limpeza e higiene
As categorias de artigos de limpeza e produtos de higiene e beleza encerraram 2025 com altas acumuladas de 4,07% e 5,35%, respectivamente. Os reajustes foram impulsionados pelo aumento dos custos de insumos, ingredientes químicos e despesas de produção, além de mudanças no perfil de consumo.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a expectativa é de uma alta moderada nos preços do varejo alimentar, condicionada principalmente à dinâmica dos custos de produção, ao comportamento do câmbio, à redução da safra em relação a 2025 e à manutenção da demanda. A ausência de eventos climáticos extremos será fator decisivo para a estabilidade do cenário inflacionário ao longo do próximo ano.
O IPS segue como um importante instrumento de acompanhamento do comportamento dos preços no varejo alimentar paulista, contribuindo para análises econômicas, planejamento do setor e apoio à tomada de decisão dos supermercadistas.
