O Índice de Preços dos Supermercados (IPS) registrou queda de 0,86% em julho de 2026, na comparação com junho. Calculado pela APAS em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o indicador acompanha mensalmente os preços dos principais produtos comercializados pelos supermercados no Estado de São Paulo. No acumulado do ano, o índice registra alta de 2,44%.
A redução em julho foi liderada principalmente por alimentação e bebidas, categoria que recuou 0,99%. Os produtos in natura tiveram a maior queda, de 3,44%, seguidos pelos semielaborados (-0,93%), bebidas não alcoólicas (-0,96%) e industrializados (-0,46%).
Entre os produtos in natura, os legumes ficaram 17,31% mais baratos no mês, enquanto os tubérculos recuaram 7,69% e os ovos, 2,39%. Já as frutas tiveram movimento contrário, com alta de 3,82%. Apesar da redução registrada em julho, os produtos in natura ainda acumulam aumento de 9,32% em 2026.
Carnes, arroz e feijão também recuam
Os preços das carnes bovinas caíram 1,80% em julho. Entre os cortes com as maiores reduções estão o acém (-3,90%), fígado (-3,35%), alcatra (-2,77%) e coxão mole (-2,45%). Segundo a análise do IPS, o resultado foi influenciado pelo aumento da oferta no mercado interno, diante da redução das exportações, combinado a uma demanda doméstica moderada. No ano, porém, as carnes bovinas ainda acumulam alta de 8,41%.
Os cereais também apresentaram redução, de 1,32%. O arroz recuou 1,54% e o feijão, 1,30%, movimento relacionado ao avanço da colheita e à maior oferta dos grãos no mercado. Mesmo com a queda recente, o feijão acumula alta de 45,08% em 2026.
Café acumula queda de 15,76% no ano
Entre os industrializados, os preços recuaram 0,46% em julho e acumulam queda de 0,21% no ano.
Um dos destaques é o café, que ficou 4,77% mais barato em julho. Após sucessivas reduções nos últimos meses, o produto acumula queda de 15,76% em 2026. O movimento foi influenciado pela perspectiva de recuperação da oferta global e pelo avanço da colheita da temporada 2026/27 no Brasil.
Os óleos também registraram redução de 1,31% no mês e acumulam queda de 9,40% no ano. No caso do óleo de soja, a redução acumulada chega a 15,65%.
Na direção contrária, o leite subiu 1,19% em julho e acumula alta de 22,10% no ano. O comportamento está relacionado ao período de entressafra, que reduziu a oferta e pressionou os preços.
Clima e cenário internacional podem influenciar os próximos meses
O IPS também acompanha fatores que podem interferir na trajetória dos preços. Entre os pontos de atenção estão as tensões geopolíticas no Oriente Médio, com possíveis reflexos sobre combustíveis, fertilizantes, transporte e outros insumos, além das projeções de intensificação do El Niño em 2026.
Alterações nas condições climáticas podem afetar a produtividade, a disponibilidade de alimentos e os custos de produção, aumentando a oscilação dos preços de acordo com a cultura e a região produtora.
O resultado de julho reflete movimentos distintos entre as categorias analisadas pelo IPS e reforça a importância de acompanhar fatores como produção, oferta, clima e cenário internacional, que influenciam a formação dos preços ao longo da cadeia.
